Cuidados e segurança
Quando trocar a água da piscina (e quando não esvaziar)
Equipe Piscininha ·
Uma água bem tratada pode ficar na piscina por anos. Esvaziar e encher de novo, além de gastar muita água, costuma criar mais problemas do que resolve: revestimentos danificados, piscinas de fibra deslocadas e semanas de ajuste químico. Mas há situações em que trocar parte da água é a melhor solução.
Piscina vazia: esvaziar só quando o tratamento já não resolve. Foto: Guaixe, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Resumo rápido
- Na maioria dos casos, não troque a água: corrija a química.
- Troca parcial (de 20% a 50%) resolve estabilizante alto, dureza alta e excesso de sólidos dissolvidos.
- Esvaziar totalmente só para reformas e reparos, com orientação técnica.
- Fibra e vinil: muito cuidado com esvaziamento.
Quando uma troca parcial vale a pena
Estabilizante (ácido cianúrico) alto
Quem usa só dicloro ou pastilhas de tricloro por muito tempo acumula estabilizante. Acima de cerca de 100 ppm, o cloro perde eficiência e a água esverdeia mesmo com cloro "na faixa". Não existe produto prático para retirar o estabilizante: só diluindo. Veja estabilizante.
Dureza cálcica muito alta
Cálcio demais forma crostas e turva a água. A troca parcial com água de dureza menor é a forma mais direta de baixar. Veja dureza cálcica.
Sólidos dissolvidos acumulados
Cada produto aplicado deixa resíduos dissolvidos, e a evaporação concentra tudo. Depois de muitos anos, a água fica "cansada": exige cada vez mais produtos para pouco resultado e turva com facilidade. Uma troca parcial renova.
Contaminação grave
Água que recebeu esgoto, enchente ou animal morto pode exigir troca, além de supercloração. Em casos de enchente com lama, a limpeza completa pode ser necessária.
Piscina abandonada por muito tempo
Água parada por meses, com lodo espesso, às vezes sai mais barato esvaziar (com os cuidados abaixo) do que tratar. Na maioria dos casos de água verde, porém, dá para recuperar sem trocar. Veja piscina verde.
Como calcular quanto trocar
A troca dilui o parâmetro na mesma proporção. Para baixar o estabilizante de 100 para 60 ppm, troque cerca de 40% da água:
% a trocar = (valor atual − valor desejado) ÷ valor atual
(100 − 60) ÷ 100 = 40%
Como fazer a troca parcial
- Coloque a válvula do filtro em drenar e ligue a bomba, ou use uma bomba submersa. Nunca deixe o nível cair abaixo da entrada da sucção com a bomba da piscina ligada.
- Baixe o nível até a quantidade calculada, respeitando o limite seguro do seu tipo de piscina.
- Complete com água nova.
- Meça e corrija alcalinidade, pH, dureza, estabilizante e cloro, nessa ordem. Veja kit de teste.
Em vinil e fibra, troque em etapas menores (por exemplo, duas trocas de 25%) em vez de baixar muito o nível de uma vez.
Por que esvaziar totalmente é arriscado
- Fibra: vazia, a piscina pode ser empurrada para cima pela água do solo e deformar, especialmente em época de chuva. Veja piscina de fibra.
- Vinil: o revestimento pode encolher, ressecar e rasgar. Veja piscina de vinil.
- Alvenaria: pastilhas e rejunte expostos ao sol podem trincar e soltar; em terrenos úmidos, também há risco estrutural.
Se precisar esvaziar para uma reforma, faça com orientação técnica, num período seco, e encha de novo assim que possível.
Ao encher ou completar
- Água da rede pública é a escolha mais segura. Água de poço pode trazer ferro e manganês, que mancham e esverdeiam a água ao receber cloro: use um sequestrante de metais e faça a análise antes.
- Depois de encher, equilibre a água antes do primeiro choque de cloro.
- Encher uma piscina gasta milhares de litros. Programe-se para não sobrecarregar o consumo, e evite fazer isso em períodos de racionamento.
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